Yansã

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ETIMOLOGIA

 

A origem do nome "YANSÃ", se deve à seguinte lenda: OYÁ lamentava-se muito de não ter filhos. Então foi consultar um babalaô, este por sua vez, consultou os búzios, repondendo-lhe que tal situação era consequente de seus hábitos alimentares e também aconselhou-se a fazer determinadas oferendas que seriam colocadas sobre um pano vermelho. Tal pano mais tarde serviria para fazer a vestimenta dos eguns (espíritos de desencarnados). Após ter cumprido essa obrigação, OYÁ tornou-se mãe de nove filhos, o que se exprime pela frase no idioma yorubá: "YIÁ OMO MÉSSAN", que por corruptela deu - YANSÃ.


É a deusa dos ventos e das tempestades, elementos da natureza, sobre os quais ela tem o poder e o domínio. Ela representa, entre os Orixás de vibratória feminina, a astúcia,
o domínio da graça e da sutileza sobre a força bruta.


As filhas de YANSÃ, quando dançam são chamadas de "Pés de Ouro", por sua coreografia repleta de beleza e ritmo.


Quando os atabaques tocam para YANSÃ, diz-se que vão "quebrar os pratos", é a forma de se refletir ao toque vibrante dedicado ao Orixá e ela responde com um grito agudo,
que é a sua saudação, nesse instante o barracão (terreiro), se ilumina como se uma faísca elétrica singrasse os ares e a Deusa dos Ventos alcança sua plenitude vibratória, dirigindo essa energia em benefício de todos os presentes.


Seus símbolos rituais são a espada e o "eiru", que é uma espécie de chicote franjado e ainda os dois chifres de búfalos. Com  estes instrumentos ela guerreia, luta e vence obstáculos.


YANSÃ / OYÁ, é uma das esposas de XANGÔ, juntamente com OBÁ e OXUM. Das três, é a que ele mais respeita por conhecer os seus segredos, porque é detentora de um talismã que só XANGÔ possui e que lhe confere a condição de projetar fogo em forma de faíscas. Com estes poderes, com certeza, XANGÔ não gostaria de compartilhar com outro Orixá, mas a astuta OYÁ conseguiu se apoderar de um talismã que era dele.


Exerce domínio também sobre as águas, é a divindade do Rio Niger (África).


Nas "roças" de nação, tem uma forma de apresentação chamada de "YÀNSÁN DE IGBALÉ", ligada ao culto dos mortos (egúngún), e quando dançam o fazem com os braços estendidos para frente e abertos como se expulsassem as almas errantes. Na Umbanda, é conhecida como YANSÃ DAS ALMAS, que os eguns respeitam ou quando necessário são retirados por sua ação energética. Este Orixá tem a faculdade de auxiliar os espíritos dos desencarnados, principalmente quando se trata de um membro da comunidade, guaindo-os em direção ao "ORUN" (Espaço/Céu).


É mais conhecida na África, com o cognome de OYÁ. No Brasil, YANSÃ é mais usado.

 

Quanto ao uso dos chifres de búfalos por YANSÃ, uma lenda que é contada no Brasil e na África, dá a seguinte explicação:


O Orixá, OGUM, foi caçar na floresta quando percebeu que um búfalo vinha em sua direção. Apontou a lança para o animal e quando ia matá-lo, este parou subitamente e em seguida começou a despir a sua pele, daí surgindo uma linda mulher, era OYÁ / IANSÃ. Em seguida, ela escondeu a pele junto ao formigueiro e dirigiu-se ao mercado de uma
cidade próxima. OGUM saiu do esconderijo, pegou a pele que OYÁ havia despido e escondeu-a em um depósito de milho, próximo de sua casa. Feito isto, foi para o mercado procurar OYÁ, e encontrando-a ali mesmo propôs casamento o que ela de pronto recusou. Mas ao voltar à floresta não mais encontrou a pele e não teve outra saída a não ser
aceitar a proposta de OGUM. Então OYÁ, pediu a OGUM que em hipótese alguma, contasse a alguém que na realidade ela era um búfalo.


Viveram bem durante alguns anos e durante os quais ela teve nove filhos com OGUM, o que provocou o ciúme das outras esposas. As mulheres enciumadas acabaram descobrindo o segredo de OYÁ, e na ausência de OGUM, elas começaram, juntas, a cantar debochadamente: "MÁA JE, MÁA MU, ÀWÒRE NHE NINU AKÁ", que traduzido do Yorubá, quer dizer:


"Você pode ser muito bonita, mas você é um animal".

 

OYÁ entendeu a alusão, transformou-se em um búfalo e matou todas as mulheres ciumentas. Em seguida, deixou os chifre com seus filhos dizendo:

"-Vou embora, mas em caso de necessidade batam um contra o outro que virei imediatamente em vosso socorro."


Por isso que nos locais e assentamentos (Pontos de Força) consagrados a OYÁ/YANSÃ, sempre existem chifres de búfalos.

 

SINCRETISMO -

No BRASIL: Santa Bárbara (Festejada em 04 de Dezembro)

Em CUBA: Nuestra Señora da La Candelária


CONTAS - De vidro Grená / Vermelha


SÍMBOLO - Espada, o chicote ou "eiru" e chifres de búfalos


ANIMAL - Cabra


FRUTAS - Maçã; Groselha; Romã; Genipapo; Pitanga; Caju; Pêssego, etc


COMIDA - Acarajé; Acarajé com Quiabos, etc


ELEMENTO: Fogo ; Ar


BEBIDA - Gengibre Ralado com água de chuva; Sumos de sua Ervas e Frutos


FLORES - Que predominam o Vermelho


DIA DA SEMANA - Quarta-Feira


SAUDAÇÃO - EPA HEY OYÁ

 

INFLUÊNCIA DO ORIXÁ SOBRE SEUS FILHOS (ARQUÉTIPO)

 

POSITIVAS - Quando prevalece a vibração do Orixá: São distintos, audazes, determinados, desapegados. De uma maneira geral são elegantes, gostam de dançar e são sedutores.


NEGATIVAS - Quando predominam o livre arbítrio negativo: São ciumentos, fúteis, falsos, se aborrecem facilmente, têm sensualidade exagerada, etc.

 

Quando a natureza tem necessidade de energizar positivamente os seus elementos constituintes (terra, ar,  água, etc) da mesma maneira descarregar a sua negatividade para
reajustamento de seu equilíbrio, recorre a OYÁ/YANSÃ, a DEUSA DOS VENTOS E DAS TEMPESTADES.

 


EPA HEY OYÁ !

 

 

Simpósio 2006 - Yansã - A Senhora dos Ventos - Pesquisa realizada e cedida gentilmente pela nossa colaboradora  Anna Elisabeth Frigeri

 


ORIGEM


Senhora da tarde, Dona dos Espíritos. Senhora dos Raios e das Tempestades. Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em
1450 a.C. Sobrinha-neta do Rei Elempe e neta de Torossi (Mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó. Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas.

 

Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo.

 

Oyá é a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns (mortos). É sincretizada com Santa Bárbara.


Divindade ctoniana, Yansã tem ligações com o mundo subterrâneo, onde habitam os mortos, sendo o único orixá capaz de enfrentar os eguns.

Entre as dezessete individuações da multifária Yansã, uma delas é como Deusa dos Cemitérios.

 

Além do contato com os mortos, Yansã também favorece a fecundidade, atributo inerente aos deuses ctonianos. Deusa das tempestades, contribui para a fertilidade do solo.
Divindade eólica, sopram os ventos que afastam as nuvens, para a passagem dos raios desferidos por Xangô. E é o raio que abre os reservatórios do céu, para fazer cair a chuva, relação comum em todas as mitologias.

 

Nossa amada mãe Yansã possui vinte e uma Yansãs intermediárias, que são assim distribuídas:

 

Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes e auxiliam os orixás regentes dos pólos positivos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo os princípios da Justiça Divina, recorrendo aos aspectos positivos do Orixá Yansã.

 

Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes e auxiliam os Orixás regentes dos pólos negativos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo seus princípios, recorrendo aos aspectos negativos do Orixá Yansã.

 

Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, onde, regidas pelos princípios da Lei, ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou direcionam para as faixas negativas.

 

Enfim, são vinte e um Orixás Yansã intermediárias aplicadoras da Lei nas Sete Linhas de Umbanda.

 

Como seus campos preferenciais de atuação são os religiosos, não é de se estranhar que nossa amada Mãe Yansã intermediária para a linha da Fé nos campos do Tempo seja
confundida com a própria Oyá, já que é ela quem envia ao tempo os eguns fora-da-lei no campo da religiosidade.

 

Yemanjá, Yansã e Xangô : relações incestuosas permeiam guerras por domínios entre os Orixás

 


Conta-se que na época do início do mundo houve um tempo de guerras entre os Orixás. Foi nessa época em que os domínios do planeta foram repartidos entre cada um.
Dessa forma, Oxóssi passou a governar a mata; Ogum, a guerra; Oxum, as águas doces; Xangô, a justiça, e assim por diante. Para Yemanjá ficou o domínio dos mares, dos grandes volumes de águas salgadas que se formaram no planeta. Xangô havia conquistado a Justiça e o Tempo, onde o ar habitava ao lado de raios, trovões e relâmpagos.

 

Xangô e Yemanjá viviam em domínios separados, mas chega um dia em que Xangô desceu à Terra. Apaixonou-se ao conhecer Yemanjá e acabou por engravidá-la. Como não podia estar preso à Terra, Xangô teve de deixar Yemanjá grávida em seus domínios, subindo aos astros para governar seu posto. Lá ficou por cerca de 50 anos,
afastado de Yemanjá.

 

Dessa gravidez nasceu Yansã, que dominava o mar junto com sua mãe. Nessa época ela era chamada de "Yansã das Almas" pois dominava os eguns, espíritos dos mortos que
flutuam sobre os mares.

 

Depois de longo tempo, Xangô desce à Terra para ver Yemanjá novamente. No caminho, ele encontra Yansã e apaixona-se sem saber que era sua filha. Yansã torna-se sua esposa. Quando Yemanjá ficou sabendo, tentou acabar com o relacionamento incestuoso entre pai e filha e contou tudo para Ogum, namorado de Yansã.

 

Houve então uma grande disputa entre Ogum, Orixá que domina as guerras e Xangô, senhor da justiça. Yansã então resolve o problema reconquistando Ogum. O pai, Xangô,
por sua vez, entende que Yansã era sua filha e aceita o relacionamento dos dois. Dessa forma, Xangô ainda dá novos domínios à filha. Ela passa a ser chamada " Yansã Dubelé",
dominando o tempo, relâmpagos, trovões, além do mar, domínios que ganho de sua mãe, Yemanjá.

 

Por isso, e por ser filha de Yemanjá, Yansã é hoje uma das iabás mais respeitadas nos rituais de cultos afro-brasileiros, já que ela é a única filha de Yemanjá e Xangô, e tem influências sobre os domínios do dois. Enquanto Yemanjá sempre aparece e papel apaziguador, a filha está sempre metida em guerras e conquistas por domínios.

 

Depois das guerras com Xangô e da subida dele aos astros, Yansã e Yemanjá aparecem sempre acompanhadas por Ogum, agora chamado de Ogum Beira Mar, que passa a ter
relacionamentos de afetividade tanto com a mãe quanto com a filha. Por isso, Xangô responsabiliza Ogum Beira Mar pelo patrulhamento de toda a orla marítima que existe
no planeta.

 

Yansã do Tempo, não tenham dúvidas, tem um vasto campo de ação e colhe os espíritos desvirtuados nas coisas da Fé, enviando-os ao Tempo onde serão esgotados.
Mas, não tenham dúvidas, antes ela tenta reequilibrá-los e redirecioná-los, só optando por enviá-los a um campo onde o magnetismo os esvazia quando vê que um esgotamento total em todos os sete sentidos é necessário. E isto o Tempo faz muito bem !

 


Já Yansã Balé, ou das Almas, é outra intermediária de nossa mãe maior Yansã que é muito solicitada e muito conhecida, porque atua preferencialmente sobre os espíritos que desvirtuam os princípios da Lei que dão sustentação à vida e, como vida é geração e Omulu atua no pólo negativo da linha de Geração, então ela envia aos domínios de Tata Omulu todos os espíritos que atentaram contra a vida de seus semelhantes ao desvirtuarem os princípios da Lei e da Justiça Divina.

 

Logo, seu campo escuro localiza-se nos domínios do Orixá Omulu, que rege sobre o lado de "baixo" do campo santo.

 

Mas também são muito conhecidas as Yansãs intermediárias Sete Pedreiras, dos Raios, do Mar, das Cachoeiras e dos Ventos (Yansã pura). As outras assumem os nomes dos elementos que lhe chegam através das irradiações inclinadas dos outros orixás, quando surgem as Yansãs irradiantes e multicoloridas. Temos:

 

Yansã do Ar
Yansã Cristalina
Yansã Mineral
Yansã Vegetal
Yansã Ígnea
Yansã Telúrica
Yansã Aquática


Yansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oyá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé.


Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. Yansã costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Yansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, consequentemente, da tempestade.

 

Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Yansã, surge quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera.

 

Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos yorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oyá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água.

 

A figura de Yansã sempre guarda boa distãncia das outras personagens femininas centrais do panteão africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao
homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura, enfim, está sempre longe do lar;
Yansã não gosta dos afazeres domésticos.

 

É extremamente sensual, apaixona-se com frequência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Yansã costuma ser íntegra
em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regula, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrenpedimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.

 

Conhecida no Brasil como Yansã, cujo nome advém de algumas prováveis: Oyamésàn - nove Oyás; usado como um dos nomes de Oyá Ìyá omo mésàn, mãe de nove crianças, Yansã, que da lenda criação da roupa de Egúngún por Oyà. Ìyámésan " a mãe (transformada em) nove", que vem da história de Ifá, da sua relação com Ogum. Observa-se que em todas as formas, está relacionada com o número 9, indicativo principal do seu odú.


Está associada ao ar, ao vento, a tempestade, ao relâmpago, ao raio (ar + movimento e fogo) e aos ancestrais (eguns). Na Nigéria ela é a deusa do Rio Níger, principal esposa de Xangô, impetuosa, guerreira e de forte personalidade, também rainha dos espíritos dos mortos, sendo reverenciada no culto dos eguns. Em Yorubá, chama-se Odó Oyá.

 

Foi a única mulher de Xangô que o acompanhou em sua fuga para a terra de Tapá, mas se desencorajou em Ira, sua cidade natal, onde, de acordo com o ditado " Oyá wole ni ile Irá, Sango wole ni Koso" (Oyá entrou na terra na casa de Irá, Xangô entrou em Koso), ela sucidou-se ao receber a notícia da morte de Xangô.


Oyá tornou-se divindidade do Rio Níger. Os tornados e tempestades são marcas de seu descontentamento.

 

Filha de Nanã. Ela é a deusa dos ventos, das tempestades, dos tufões dos elementos aéreos ligados ao relâmpago (ar + movimento = ao fogo). É a deusa do rio Níger da África que em Yorubá, chama-se Odò Oyá. Comanda os eguns (os morotos). Extrovertida e sensual como poucas. Foi a primeira esposa de Xangô.


Tinha um relacionamento ardente e impetuoso. Destemida, justiceira e guerreira, não teme a nada. Registram-se, em literatura, 17 qualidades sendo a mais conhecida; Oya, Onyra, Bagam, Egunita, Benek, Cenou, Bomini e Muriai, a Yansã-do-Balé (que preside a festa dos Eguns).

 

Yansã é a senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim - seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.

 

É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda também a falange dos Boiadeiros.

 

Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para , só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.

 

LENDAS


Diz uma das lendas que Oyá lamentava-se de não ter filhos, uma situação consequente da sua ignorância a respeito das suas proibições alimentares. Embora lhe fosse recomendado comer cabra, ela comia carneiro. Foi consultar um babalaô, que informou seu erro, lhe aconselhando a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Egúngún. Tendo cumprido essa obrigação, Oyá tornou-se mãe de nove crianças.


Yansã e Xangô sempre foram muito companheiros, mas Xangô, como rei, queria sempre ser o mais poderoso de todos. Yansã não se conformava com isso, pois ela é muito independente e não admite ser mandada por ninguém. Certa vez, disseram a Xangô que, num reino vizinho, havia um sacerdote que conhecia uma poção que, quando ingerida, dava o poder de lançar fogo pela boca. Como estava envolvido numa luta, Xangô mandou Yansã buscar a poção para ele.


Ao voltar, ela começou a pensar que não era justo que só Xangô tivesse esse poder; então, tomou um pouquinho da poção, para que o marido não percebesse. Assim, ela ficou com o poder mágico mas, como tomou pouca poção, é dona apenas dos ventos e dos raios fracos.

 

Yansã viveu por muito tempo com Xangô e foi sua melhor companheira de aventuras. Apesar de sua inconstância, ela gostava muito dele. Por isso, quando Xangô morreu, ela ficou tão desesperada que não quis mais viver. Pediu aos Orixás que aceitassem sua ida para o mundo dos mortos em companhia do marido e então se matou.


Por ter ido pela própria vontade, Yansã se tornou amiga dos Eguns. É por isso que Yansã é o único Orixá que tem coragem de participar do culto dos mortos, dominando-os com seu chicote.


VENTOS E EGUNS

Conta uma das lendas de Yansã, a primeira esposa de Xangô, teria ido, a seu mandato, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estavam com Obaluayê. Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a Xangô. Yansã foi, e lá Obaluayê recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças cairem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora. Yansã ia muito apressada e não aguentava mais segurar o segredo. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obaluayê. Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para os céus. Quando terminaram os ventos, Yansã voltou e quebrou a segunda cabaça.


Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiii!!!  Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios. Ela tinha
um temperamento ardente e impetuoso. Foi a única entre as mulheres de Xangô que, no fim do seu reinado, o seguiu em sua fuga para Tapá. Quando ele recolheu-se para baixo da terra em Kosso, ela fez o mesmo em Yiá.


A IRA DA MULHER BÚFALO (mais conhecida)

Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogum tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher.


Era Yansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre. Yansã fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro.


Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher até que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a cortesia.


Quando anoiteceu ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar com o que procurava. Em troca de seu segredo (pois ele sabia que ela não era mulher e sim um animal), Yansã foi obrigada a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.


Chegando em casa, Ogum explicou suas outras esposas que Yansã iria morar com ele e que em hipótese alguma alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto Ogum
saía para trabalhar, Yansã passava o dia procurando sua trouxa.


Desse casamento nasceram nove filhos, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriaguar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Yansã. Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantar: " Você pode beber, comer e exibir sua beleza, mas a sua pele está no depósito, você é um animal." Yansã compreendeu a alusão. Depois que Yansã encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e pertiu para cima de todos,
poupando apenas seus filhos.

Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo deveriam bater os chifres uns contra os outros; com esse sinal ela iria socorrê-los imediatamente. E por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de Yansã.


ORIXÁ DO FOGO

Embora tenha sido esposa de Xangô, Yansã percorreu vários reinos e conviveu com vários Reis. Foi paixão de Ogum, Oxaguian e de Exú. Conviveu e seduziu Oxóssi, Logun-Edé e
tentou em vão relacionar-se com Obaluayê. Sobre este assunto a história conta que Yansã percorreu vários Reinos usando sua inteligência, astúcia e sedução para aprender de tudo e conhecer igualmente tudo. Em Irê, terra de Ogum foi a grande paixão do Guerreiro. Aprendeu com ele o manuseio da espada e ganhou deste o direito de usá-la.


Depois partiu e foi para Oxogbo, terra de Oxaguian. Com ele aprendeu o uso do escudo para se defender de ataques inimigos e recebeu o direito de usá-la. Depois partiu e nas estradas deparou-se com Exú. Com ele aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxóssi, seduziu o Deus da Caça, e aprendeu a caçar, a tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Exú. Seduziu Logun-Edé e com ele aprendeu a pescar. Foi para o Reino de Obaluayê, pois queria descobrir seus mistérios e conhecer seu rosto. Lá chegando, insinuou-se. Mas muito desconfiado, Obaluayê perguntou o que Oyá queria e ela respondeu: - " queria ser sua amiga".

Então, fez sua Dança dos Ventos, que já havia seduzido vários reis. Contudo, sem emocionar ou sequer atrair a atenção de Obaluayê. Incapaz de seduzi-lo, Yansã procurou apenas aprender, fosse o que fosse. Assim dirigiu-se ao homem da palha:

 

- "Aprendi muito com os outros Reis, mas só me falta aprender algo contigo."


- "Quer mesmo aprender, Oyá? Vou te ensinar a tratar dos Mortos".

Venceu seu medo com sua ânsia de aprender e com ele descobriu como conviver com os Eguns e a controlá-los. Partiu então para o Reino de Xangô, pois lá acreditava que teria
o mais valioso dos reis e aprenderia a viver ricamente. Mas ao chegar ao reino do Rei do Trovão, Yansã aprendeu mais do que isso, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma
paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu à ela seu coração. O fogo das paixões, o fogo da alegria e o que queima. Ela é o Orixá do Fogo.


CORAJOSA E ATREVIDA - Yansã ganha de Obaluayê o poder sobre os mortos

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluayê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluayê não podia entrar na festa, devido à sua
medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava
seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluayê entrou, mas ninguém se aproximava dele, nenhuma mulher quis
dançar com ele.


Yansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Obaluayê e dele se compadecia. Yansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.
O Xirê (festa, dança) estava animado. Os Orixás dançavam alegremente com suas ekedes. Yansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento.
Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluayê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão.


Obaluayê, o Deus das Doenças, para surpresa geral, trasnformara-se num jovem belo e encantador.


O povo o aclamou por sua beleza. Obaluayê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato. E, em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oyá a Rainha dos Espíritos dos Mortos. Rainha que é Oyá Igbalé, a condutora  dos eguns. Yansã então dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava agora, agitava no ar o eruexim (o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo).


Yansã tornou-se Yansã de Balé (Rainha Oyá Igbalé), a rainha condutora dos espíritos dos mortos, a condutora dos eguns, rainha que foi sempre paixão de Obaluayê.


ASSENTAMENTOS

O que são Assentamentos ?

São objetos, perecíveis ou não, utilizados como ímãs para atrair a energia de um determinado Orixá ou a presença de determinadas Entidades ou Falanges. O assentamento, como ímã, simboliza a presença, no mundo da matéria, da Entidade, Falange ou a própria força do Orixá. Na confecção dos assentamentos são utilizadas essências, metais, cristais ou pedras preciosas, velas coloridas, fitas, certas libações (mais conhecidas pelo vulgo como bebida de santo) e quaisquer outros materiais conhecidos como dádivas da natureza, como o mel, o trigo (mais comumente utilizado na forma de pão), frutas, cereais, verduras e legumes. Notem que a Umbanda não admite, em seu ritual, a utilização de qualquer energia oriunda de um sacrifício animal.


Cabe-nos ressaltar, que a feitura de um assentamento é algo que requer preparo de quem o faz, apoiado pelo sacramento sacerdotal.


O Assentamento de Yansã

O assentamento de Yansã é feito com uma bacia de cobre, não sendo possível pode-se usar uma de ágata branca. Usa-se também neste assentamento uma espécie de sopeira
com tampa e alça, onde no seu interior põe-se: 9 búzios, 9 idês de cobre, 9 moedas de cobre, 1 otá, 9 cascas de ajapá (tartaruga) de tamanho pequeno, 1 fava de Yansã,
1 quartilha de louça com asa. Tampa-se a sopeira e, em volta coloca-se 9 pratos brancos com desenhos vermelhos ou corais.

No peji de Yansã costuma-se colocar seu alfanje, seu eruêxin e seus chifres de búfalo.


Assentamento de Médium

O assentamento de um Orixá em um ser humano é realizada através de um processo cerimonial chamado de "iniciação". Estes processos são alimentados por oferendas individuais de cada iniciado aos seus Orixás tutelares ou a uma entidade com a qual esteja momentaneamente desarmonizado. Além das cerimônias anuais do calendário litúrgico, existe um dia da semana consagrado a cada Orixá, que pode ser usado para a entrega de obrigações individuais, feitas de comidas ofertadas.


As restrições alimentares também condicionam simbolicamente esta identidade permanente entre os homens e os deuses: as proibições consistem em não consumir as substâncias
que vibram na mesma frequência do Orixá a que se está identificado. Apenas no processo de iniciação estas substâncias são ritualmente ingeridas. Após este período, as comidas
características de cada Orixá são interditadas aos seus filhos. Caso o indivíduo não obedeça a estas restrições alimentares a que se encontra submetido e realize uma "auto-antropofagia simbólica", ele sofrerá as quizilas (sensação de nojo, mal-estar).