Vóvó Catarina

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A Fraternidade da Luz, funcionava em sua sede provisória na Rua Angelina, no Bairro do Encantado,quando em uma noite, sessão de pretos velhos, veio trazido por uma pessoa amiga da Casa, um médium visitante de nome Gilberto (omitiremos propositalmente o seu sobrenome), que trabalhava com uma preta velha de nome Vovó Catarina. Era um jovem rapaz com excelente aparência física (omitimos o sobrenome porque era irmão de uma atriz famosa, já desencarnada, muito bonita que trabalhou na Rede Globo de TV).


Antes de incorporar, nos pediu que se a preta velha solicitasse alfinetes, que não os arranjasse, pois ela trabalhava com sete alfinetes espetados em um dos braços do médium e ele não gostava. Bem, ficou o dito pelo não dito, tão logo Vovó Catarina chegou, não me recordo qual de nossos médiuns, trouxe os alfinetes que a entidade solicitara. A preta velha não se fez de rogada, espetou os sete alfinetes no braço do médium, de tal maneira que só apareciam as cabeças e diga-se de passagem não saia uma gota de sangue.


Foi providenciado o banco, para que ela se sentasse e também uma vela por ela pedida, pegou na sua pemba, após colocar na boca o cachimbo, riscou o seu ponto e acendeu a vela que colocou sobre o mesmo.


Portava a preta velha, um lindo Pano-da-Costa branco, todo rendado, e que ela colocava sobre as pernas do médium, quando inesperadamente tocou na vela, e ele incendiou, a preta velha apagou o fogo com a mão e comentou:" -Tão bulindo com véia, muleque num tem o que fazê vai recebê uma lição e suncês vão sabê ". Dizendo isso, pegou a vela que estava sobre o ponto riscado, e passou várias vezes em volta do copo com água que também estava  sobre o ponto, dizendo alguma coisa que não escutamos. Ato continuo, o Nilo que era marido de Floripes, médium de Vovó Josefa, entidade que mais tarde representaria a Fraternidade da Luz, nas giras de confraternização do Primado de Umbanda, e que estava sentado em uma cadeira na primeira fila da assistência levantou-se e correu em direção ao sanitário, fora acometido de forma estranha, de um intenso desarranjo intestinal (soubemos por ele posteriormente), e o pior é que todas as vezes em que tentava sair do vaso sanitário, a coisa voltava a piorar e ele não conseguia se descartar
do reservado.


A Vovó Catarina, começou a atender várias pessoas para consulta e demorou razoavelmente, sabem como é preto velho, não tem pressa. Terminado o atendimento, a preta velha saudou o gongá e todos que estavam presentes, pediu que retirassem os alfinetes do braço do médium (o que foi providenciado), agradeceu a todos e disse:

"- Já vou para a minha Aruanda, e quando eu subir o filho que está se "esvaziando", lá dentro, vai melhorar. Isso é prá ele aprendê que não se mexe com coisa que tá quieto, cada um tem o direito de acreditá no que quisé o qui não pode é pensá negativo prá prejudicá, esse nunca mais vai fazê essas bobage".


A entidade, desincorporou e minutos depois aparece o Nilo, meio assustado, não tinha entendido porque acontecera aquele mal estar súbito.


Passara toda a sessão no sanitário, então um irmão lhe explicou o que acontecera...

 

 

Henrique Landi